segunda-feira, 13 de julho de 2009

A Historiografia “Mundial” e o Holocausto





Geralmente, quando escutamos ou falamos a palavra holocausto, nos vem à cabeça o massacre sofrido pelos judeus durante a Segunda Guerra Mundial. O genocídio/etnocídio, ou pelo menos a tentativa destes, envolvera a morte de seis milhões de semitas no continente europeu, entre os anos de 1939 e 1945. Mas, por que a historiografia “mundial” adotara com tanta força este fato histórico, em detrimento de outros massacres ocorridos durante esta mesma Guerra? Não se sabe bem ao “certo”, mesmo porque a História é a Ciência/Filosofia das Verdades. Por esse motivo, exploraremos a seguir ao menos três possíveis justificativas para tal escolha dos historiadores.
A primeira pode está ligada ao passado histórico do judaísmo na Europa, à formação da identidade do povo judeu desde a Diáspora em 70 d.C., quando pressionado pelos romanos, é expulso da região da Palestina e se estala em várias partes do mundo, principalmente no território que vem a ser a Europa hoje. É que desde aquele momento, a conservação e a consolidação daquela identidade ficaram atreladas à sobrevivência das tradições e cultura judaicas, sob os aspectos lingüístico, religioso e dos costumes do cotidiano. Alguns dos maiores intelectuais europeus que fincaram teorias na História e nas outras Ciências Sociais da contemporaneidade eram judeus, como por exemplo, Karl Marx, Norbert Elias e Hannah Arendt. Assim, a causa histórica judaica fora didaticamente desenvolvida, juntamente com a análise do genocídio vivido por esses teóricos antes, durante e no pós-guerra.
A segunda justificativa, certamente passa pela análise conjuntural dos lados que obtiveram “êxito” no fim da Guerra - Estados Unidos e União Soviética. A Guerra Fria (1945-1991) era um campeonato de pontos corridos, onde as duas potências precisariam delegar poderes, distribuírem gracejos generosos entre os seus aliados e espionar o desenvolvimento do inimigo. Os E.U.A., estrategicamente, fincam base nos países do Oriente Médio, não tão confiáveis assim. Neste caso, para manter um ponto de estratégico de espionagem e ao mesmo tempo agradar um possível aliado, os ianques fazem fundar o Estado de Israel, desfeito desde à Diáspora, e de quebra, ganham um posto confiável de observação. No entanto, teria que enfrentar a ira implacável da etnia árabe palestina, grupo que habitava aquele território, agora dividido para dar lugar ao Estado de Israel – “ao povo que mais sofreu” durante o Segundo maior conflito armado mundial. Explica-se, então, que a historiografia mundial tenha sido, se não tendenciosa, mas conivente com a iniciativa dos E.U.A. quando adotara com muita força o exemplo genocida judaico. Aqui, é propício ressaltar, que 22 milhões de russos morreram e que outros milhões, de outras etnias também tiveram suas vidas ceifadas, vítimas das ideologias disseminadas pelas potências do Eixo e dos Aliados.
E como terceiro ponto correlato à questão do uso pragmático do holocausto pela historiografia mundial, está a sutil mensagem de que a democracia é o caminho mais eficaz para trazer a felicidade à humanidade. A corrente capitalista, protagonizada pelos E.U.A. e pelo bloco europeu ocidental, enfatizara o exemplo judaico para mostrar que qualquer outra doutrina político-econômica e social traria desarmonia ao mundo e, que era necessário, ajustar o mundo às forças da liberdade capitalista. Por isso, didaticamente, ficara interpretado que os E.U.A. e sua ideologia capitalista-democrática eram os mocinhos e as demais estavam condenadas ao fim. Prova disso, foi o processo de criação da ONU e do Estado de Israel – uma imposição dos Estados Unidos, nos moldes do modelo ocidental de liberdade e participação dos trabalhadores.
É claro que com essa postagem, não estamos querendo diminuir o peso do fato histórico Holocausto, mas ponderar verdades a cerca das construções historiográficas expostas pelos pesquisadores imbuídos neste mister.

Por Paulo Eduardo

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